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26º andar - Centro


 Mais Artigos e Poemas  

QUE COISA É O TEMPO?

 

Luciano Dutra Rabelo

 

Que coisa é o tempo?
Algo volátil, sutil e intangível como o vento...
Como parece demorar a passar antes de passar um evento...
E como parece apressado depois de ter passado o momento...
Será que há algo realmente passando?
Ou será  apenas um véu de brumas...
Que algo está ocultando?
O que há do outro lado do véu do tempo ?
O tempo parece passar para nos levar a outro tempo...
Que também só servirá para passar...
E se transformar em passado...
Aí deve haver algo errado...
Ou então vemos o tempo com o olhar transtornado...
Da alma embriagada que bebeu o licor da temporalidade...
E agora se ilude com a projeção de sua própria ilusão...
Povoando sua caverna sombria com esquivos fantasmas...
Na fugaz e ilusória visão das ilusões em fuga...
Quando a sangria do tempo se estanca para revelar a eternidade?
O tempo traz a impermanência...
Onde tudo se modifica sobre um fundo que permanece...
Algo mais intangível do que o próprio tempo...
O tempo é o vir a ser em perpétua mobilidade...
Orbitando em torno do Ser que nunca perde sua auto-identidade...
O tempo torna a tristeza alegre, porque a tristeza está passando...
O tempo torna a alegria triste porque a está levando...
O tempo ensombrece a alma porque turva a luminosidade
De cada momento, com a poeira de muitos dias passados...
Não se pode negar que o tempo tenha existência...
Mas talvez não tenha auto-existência.
E seja uma ilusão causada pelas mudanças na consciência...
Tudo passa dando a ilusão de que o tempo é que está passando...
Existe algo além do que está realmente passando?
E além daquela coisa misteriosa que não passa?
O tempo que passa, transforma a uva em uva-passa
Leva embora o frescor da juventude
Transforma o jovem em velho... a beleza em decrepitude...
Deixa suas marcas no corpo, na mente e no coração...
Este mesmo tempo que envelhece e mata...
Também traz a renovação...
Na roda inestancável da espiral da vida...
Tudo retorna renovado e revitalizado nas marés do tempo...
Para sofrer de novo as agruras do tempo inclemente....
Nascer, viver, envelhecer e morrer novamente...
Só não passa aquele que vê as marcas do passar do tempo...
A pupila do olho que tudo vê não pode ser vista...
Aquilo que olha as mudanças não pode ser olhado...
Aquilo que causa todas as mudanças não pode ser mudado...
Aquilo que é nunca pode deixar de ser...Só muda o jeito como aparece
E o cenário onde atua no teatro da vida...
Na tela do espaço-tempo onde o drama  da vida acontece...
O Ser não é  tocado pelo tempo que rasga suas vestes...
Destruindo o corpo e tudo que está ancorado no corpo...
Mas não atinge o cavaleiro que cavalga o corpo...
O que é o corpo senão um cristal do tempo?
Ou um desenho de todas as nossas pegadas no passado
Temos uma cota de tempo em cada existência...
A existência passa com o tempo, porém não passa o existir...
No fluxo incessante do nascer, morrer, renascer e evoluir...
O tempo que tudo desmancha e tudo devora...
Murcha e desaparece no eterno agora...
O tempo é a brincadeira dos deuses, o carrasco dos maus...
A ilusão de todos...o amigo dos sábios...o mestre dos tolos....
O tempo pode fluir na periferia do viver...
Mas nunca irá atingir a Fonte Interna do Ser...