De modo geral, as pessoas extraem seus pontos de vistas e suas crenças
básicas de suas próprias tradições culturais e religiosas,
o que é de certa forma natural e previsível.
A reencarnação não faz parte da tradição
teológica ocidental porque foi banida do cânone cristão
pelo Concílio de Constantinopla, encerrado em 5 de maio de 553 d.C.,
em votação feita pelos nove principais bispos da cristandade,
reunidos sob convocação do imperador Justiniano, que era, de fato,
o chefe da cristandade nessa ocasião, sendo o então papa Virgílio
um mero títere a serviço do imperador, ao qual devia amplos favores
por ter libertado Roma do domínio dos visigodos, reunificando o império
romano, sob seu reinado.
O concílio foi decidido por um placar apertado de cinco votos contrários
à reencarnação e quatro votos favoráveis. Um único
voto de diferença decidiu a questão.
Desse apertado placar de votação, conclui-se que, se apenas um
daqueles cinco eminentes prelados que votaram contra a reencarnação
tivesse invertido ou reconsiderado seu voto, o pleito seria de cinco a quatro
a favor, e, assim, toda a cristandade atual teria sua crença firmada
no princípio da reencarnação, tal qual as tradições
religiosas do oriente.
Se considerarmos o fato de que essa votação foi feita sob forte
pressão do imperador Justiniano, que, por influência de sua esposa
Theodora, tinha opinião desfavorável à reencarnação
e interesse em sua abolição do cânone, podemos considerar
que a reencarnação teve de fato uma grande e irretocável
vitória, sendo suprimida da doutrina cristã devido a interesses
escusos e sub-reptícios decorrentes da intromissão promíscua
do poder temporal nos assuntos religiosos.
Para os que percebem a lei da reencarnação com os olhos do espírito,
nenhuma prova é necessária. Para os que não percebem, nenhuma
prova é suficiente. Não obstante há aqueles buscadores
sinceros, que têm somente um pouco de fumaça nos olhos, para quem
vale à pena desenvolver e elaborar esse complexo e intrincado assunto.
Existe uma estreita e sutil correlação entre a lei da gravidade
e a lei da reencarnação. Ambas são leis da natureza e não
leis morais, como supõem alguns desorientados.
A lei da reencarnação é uma decorrência do princípio
cósmico de que o próprio universo se “reencarna” em
infinitos e sucessivos ciclos de repouso e de manifestação. E
por um inevitável princípio de analogia e de indução,
tudo o que existe dentro do universo se submete à mesma lei de manifestação
cíclica a que está submetido o macrocosmo.
Não poderia ser de outra forma: O grande padrão cíclico
de manifestação do universo é o mesmo padrão das
unidades que se manifestam dentro desse universo, havendo uma unidade e uma
analogia em todos os processos que existem no cosmos. É assim que é
mantida a unidade dentro da diversidade.
A discussão sobre a existência ou não da lei da reencarnação
é algo de total imaturidade e nada acrescenta em termos da qualidade
de ser de cada pessoa. É algo semelhante a discutir a existência
da lei da gravidade. Quem conhece a lei da gravidade, jamais se daria ao trabalho
de discutir esse tema auto-evidente por si mesmo. Aliás, a lei da reencarnação
e a lei da gravidade são “primas-irmãs”. São
ambas leis de atração para o nível físico de tudo
aquilo que ainda não tem sublimação suficiente para se
estabilizar “lá no alto”, seja essa altura de nível
físico, seja a altura vibracional de algo que já não tem
atração pelo plano físico.
Quanto à terapia de vidas passadas, é um outro fato em relação
ao qual temos algumas ressalvas e restrições.
Embora muitos traumas e patologias humanas tenham de fato sua origem em vidas
passadas, essa forma de terapia é, na maioria dos casos, desaconselhável.
Ela se baseia no princípio um tanto simplista de que percepção
da causa produz uma catarse que leva à cura. Mas será isso verídico?
Será confiável esse princípio?
Pode ser que, para algumas pessoas possa de fato acontecer a catarse, mas, na
maioria dos casos, nada se ganha remexendo o baú do passado e ressuscitando
lembranças mortas e trazendo de volta para nossa lembrança a salmoura
do tempo.
A natureza foi muito generosa ao apagar a lembrança de vidas passadas,
liberando a humanidade de um fardo de vergonha, culpa e de medo de receber no
futuro as conseqüências cármicas daquilo que semeou no passado.
Todas as condições do passado estão vivas no próprio
presente. Resolvendo-se o presente, automaticamente, clareia-se o passado e
prepara-se o solo para um novo futuro.
Por isso, é desaconselhável qualquer forma de terapia que tire
o foco da consciência do presente ativo e faça a alma regressar
às brumas sombrias do passado.
Não se deve condenar, de forma absoluta, as terapias de vidas passadas,
que podem ser úteis em alguns casos excepcionais, mas, como regra geral,
qualquer fuga do presente tende a trazer mais mal do que bem.