T udo no universo evolui. Até as rochas e os vegetais evoluem no sentido de um maior refinamento e sutilização de seus arranjos moleculares, como se progredissem na direção de um maior potencial de responsividade aos estímulos exteriores.
A evolução é uma lei automática, como um grande rio que leva tudo em sua corrente, embora seja possível, durante certo tempo, alguém nadar contra a correnteza.
Não se deve pensar que a evolução se processe de forma linear, como se fosse uma linha reta. A evolução é uma linha de espiral ascendente, rumo a um maior estágio de consciência e organização. Essa espiral envolve ciclos de ascensões e quedas, porém com tendência sempre ascendente, apesar dos ocasionais movimentos descendentes.
Cataclismos globais como as extinções em massa de animais, quedas de asteróides e cometas na superfície do planeta, guerras e destruição súbita de grandes civilizações parecem produzir regressões definitivas, mas são, na verdade, movimentos de fim de ciclos, que destroem antigos padrões para dar início a períodos renovados de evolução, abrindo oportunidades para novas espécies, no terreno da evolução biológica, e novas culturas, no campo da evolução social.
Sendo a evolução uma lei automática que rege a totalidade da vida, é necessário algo mais do que “simplesmente evoluir”. No caso do ser humano, é necessário evoluir de forma consciente, tornando-se sujeito e não objeto do processo de evolução.
Porém, mesmo adotando essa diretriz de “evolução consciente”, é necessário ir ainda mais longe, para se ter a perspectiva dos saltos de consciência possíveis ao ser humano.
O conceito positivista de evolução adotou como princípio a idéia de que “A Natureza não dá saltos”. Nada pode estar mais equivocado.
A natureza evolui, em condições normais, de forma lenta e gradativa, intercalada com períodos de grande aceleração e turbulência, havendo também períodos de destruição cataclísmica.
A sociedade humana deu um gigantesco salto de evolução tecnológica durante o século XX, embora outros aspectos da evolução tenham ficado estagnados ou até mesmo regredido.
A espécie humana surgiu de maneira tão repentina no cenário de vida do planeta, que fica a impressão de que estão faltando muitos “elos perdidos”. Por exemplo, o aparecimento súbito das aves a partir da evolução dos répteis primitivos, que deixa perplexos os biólogos e paleontólogos.
Por outro lado, a evolução levou 3 milhões de anos para recuperar os sistemas vitais do planeta, após a queda do asteróide ou cometa no Yucatan, há 65 milhões de anos, no evento que destruiu os dinossauros e abriu caminho para o predomínio dos mamíferos no planeta.
Nesses 3 milhões de anos, a Terra se tornou um deserto com poucas espécies , visto que a vasta maioria das espécies vegetais e animais do planeta foi extinta.
A criatividade da Natureza é tamanha que, a partir das poucas espécies restantes, foi criada uma imensa variação de novas formas de vida e, por volta de 60 milhões de anos, a Terra já estava novamente explodindo de vida, com novas e diversificadas espécies ocupando o lugar das antigas.
A lei da evolução ainda é muito mal compreendida. Os conceitos originais de Darwin, embora geniais e avançados para sua época, revelam apenas um aspecto de uma lei ampla e complexa, que envolve muitos outros fatores, alguns deles fora da capacidade de observação humana porque ocorrem nos mundos invisíveis, onde a evolução continua.
Muitos efeitos manifestados na Terra são conseqüências diretas de modificações ocorridas no lado oculto da vida.
Quando o homem adquire um entendimento mais completo da lei da evolução, a primeira coisa que deve fazer é aplicar esse conceito à sua própria vida, assumindo uma atitude de sujeito ativo, consciente e responsável por sua própria evolução. Esse passo já é, por si só, amplo demais e marcante na trilha evolutiva de um ser humano.
Mas as possibilidades não se esgotam por aí. Sistemas espirituais como o budismo e o taoísmo criam uma perspectiva tão avançada, que a própria evolução deixa de ser significativa. Esses sistemas estão focados na transcendência humana, que leva o ser a uma superação tão intensa, que ultrapassa a própria condição humana.
Isso não significa que a evolução cesse depois da transcendência, e sim que assume uma dimensão cósmica ligada diretamente aos grandes propósitos da consciência divina, à qual se torna conectadA de uma maneira incompreensível para nosso estágio atual.
Ainda que essas possibilidades estejam distantes de nossas possibilidades atuais, é confortador saber que nosso sofrimento da vida presente é momentâneo e passageiro, sendo apenas uma fração de segundos de uma jornada eterna, cujo crescimento e esplendor é ilimitado.