AS NUANCES DA LEI DA EVOLUÇÃO

Uma das mais geniais e importantes descobertas científicas e filosóficas dos últimos 200 anos foi a Lei da Evolução, que mudou definitivamente nossa visão do universo.

Embora Charles Darwin seja freqüentemente criticado por ter formulado uma noção de evolução com matizes mecanicistas e materialistas, deve-se reconhecer o fato de que é impossível para um pioneiro em qualquer área do conhecimento humano apresentar uma nova tese de forma completa e definitiva. Ele pode apenas iniciar o assunto, mas não esgotar o assunto.

Aliás, a ciência nunca se esgota. Todas as teorias constituem um saber provisório, muitas vezes erigido em verdade absoluta por quem não tem a visão da mutabilidade e eterna superação de todas as teorias e modelos científicos.

Iniciar o assunto, rompendo os paradigmas de uma época, já é uma iniciativa que requer imensa coragem e determinação para ultrapassar velhos conceitos e abrir caminho para uma nova concepção.

Pioneiros como Einstein , Isaac Newton, Freud, Jung, Darwin e Niels Bohr foram inicialmente atacados e criticados pelo status quo , por apresentarem teorias que contradizem o saber estabelecido.

Não se pode pretender que eles desdobrem o assunto de forma completa, pois seriam considerados lunáticos. É também necessário perceber a questão sob o ponto de vista dos críticos, visto que só o tempo e as comprovações empíricas são capazes de estabelecer a diferença entre o gênio e o louco.

A Lei da Evolução é atualmente aceita por toda a comunidade científica, visto que as descobertas arqueológicas do passado da Terra comprovam a evolução das espécies a partir de formas de vida primitivas.

O criacionismo puro e ingênuo é atualmente visto como algo semelhante à crença medieval de que a Terra era chata e que era o centro do universo. Embora o criacionismo seja aceito por um número considerável de religiosos em todo o mundo, deve-se registrar o fato de que há pessoas com mentalidade de todas as épocas convivendo no planeta e que todos esses criacionistas têm sua cosmovisão ainda estacionada na visão medieval do mundo. Todavia a evolução tem complexidades e nuances que ainda estão longe de serem compreendidas.

O conceito original de evolução estabeleceu a premissa de que “A natureza não dá saltos”, o que não parece ser verdadeiro, à luz de novos fatos descobertos recentemente pela arqueologia e pela antropologia. O próprio aparecimento do homem representa um grande salto na evolução. Não existem fósseis de hominídeos com mais de cinco milhões de anos e os fósseis que têm milhões de anos, como o hominídeo Australopitecus ou o Homo Ergaster , são tão primitivos que estão mais para símios do que para humanos, embora não haja dúvidas de que eram bípedes e tinham uma caixa craniana muito maior do que a dos símios.

O aparecimento das aves também é um salto brusco na evolução, ocorrido em um período relativamente curto de tempo.

Aparentemente, a evolução tem um ritmo lento e regular, porém sujeito a acelerações repentinas e posteriores períodos de estagnação.

Alem desses “saltos bruscos para a frente”, existem os aparentes “saltos bruscos para trás”, que acontecem após grandes cataclismos planetários, que reduzem as formas de vida no planeta e dão nova direção à evolução, tais como os que ocorreram no final do período permiano, há 250 milhões de anos e no final do cretáceo, há 65 milhões de anos.

Registros geológicos comprovam que, por diversas vezes, o planeta sofreu cataclismos que reduziram as espécies, e a vida recomeçou e se diversificou a partir das poucas espécies sobreviventes. Os cataclismos citados, por pouco não extinguiram toda a vida no planeta: o primeiro, em que foram extintos os protomamíferos, iniciando o predomínio dos grandes rétpeis. E o segundo, que extinguiu os dinossauros e estabeleceu os mamíferos como espécie dominante no planeta.

O fato de que nas escrituras de todos os povos aparece com nitidez a estória de dilúvios passados e de apocalipses futuros indica que essas rupturas nos processos de evolução normais do planeta fazem parte de padrões registrados no inconsciente coletivo da humanidade.

O dilúvio não é um relato exclusivo da tradição bíblica. Consta nos Puranas hindus, no mito babilônio de Gilgamesh, nos calendários dos maias e astecas e na lenda de Tamandaré, dos índios Tupi-Guarani.

A partir dessas observações, pode-se inferir que a evolução faz parte de um grande plano da natureza, mas de forma alguma é uma linha reta. A linha da evolução é uma trajetória de ascensões e quedas, de avanços e retrocessos, porém com uma tendência ascendente na direção de um maior estágio de consciência.

Tanto no cristianismo quanto no budismo o conceito de evolução é ausente, o que causa grandes confusões e dúvidas, embora a ausência do conceito de evolução produza uma certa intensificação desses movimentos religiosos, concentrando os esforços de transcendência no momento presente, não dando margem para adiamentos.

Fica, porém, sem resposta a indagação sobre o motivo de a iluminação de Buda ser maior em magnitude do que a de seu discípulo Mahakashiapa. E a deste ter sido maior do que a de Ananda. E o fato de que, para muitas pessoas e até mesmo para discípulos, a iluminação ser absolutamente fora de questão.

A Escola Budista japonesa da Terra Pura ( Jodo Shinshu ) foi criada dentro do princípio de que para a vasta maioria dos seres humanos a iluminação é assunto prematuro e inoportuno. O máximo que o homem comum poderia conseguir é acumular méritos para obter uma estada temporária em um dos paraísos celestiais ( Sukhavati ) e, em seguida, merecer uma encarnação em condições mais favoráveis e menos dolorosas. Esses méritos seriam acumulados através da vivência ética e da recitação do nome sagrado de Amithaba ( Nembutsu ), que é uma forma de auto-recordação e de referência ao Buda Cósmico.