Há muitas maneiras de se perceber a morte: das maneiras mais absurdas e neuróticas, até as maneiras mais transcendentais, que vêem a morte como uma passagem para outra dimensão de vida, mais próxima do Divino e mais afastada da matéria.
O mundo material é tão divino quanto todos os outros chamados mundos espirituais, com a diferença de que é um mundo de alta compressão existencial e de forte impactação situacional, em que todos os seres são submetidos a forte condicionamento e a necessidades de re-suprimento constante de alimentos, roupas, segurança, moradia e tantas coisas básicas, que grande parte da existência é consumida em suprir o organismo físico de suas necessidades vitais.
A causa principal dessas limitações é submeter a alma a situações compulsórias, em que, por questões de sobrevivência, ela é obrigada a passar por aprendizado e ajustes cármicos, dos quais, de outra forma, ela fugiria, evitando as lições necessárias ao seu momento existencial.
Isso faz com que muita atenção seja focalizada no exterior, havendo uma aparente cisão entre o cenário interno da alma e o ambiente em que transcorre sua existência.
Este forte condicionamento elimina grande parcela da liberdade do ser para viver onde quiser, com quem quiser e da forma que quiser. As pressões que o ser recebe de seu ambiente exterior é uma das maiores causas do sofrimento humano, embora haja um componente ilusório nesse sofrimento. O ambiente não é diferente do ser que nele habita.
Existem vínculos ocultos que colocam determinado ente em um lugar específico, relacionando-o com pessoas específicas, dentro de um contexto que foge ao seu controle, mas tudo isso faz parte da dinâmica de seu processo de crescimento (carma/dharma), mesmo que ele desconheça esse fato.
A morte é uma libertação do ser deste cenário de vida, mas de forma nenhuma o liberta de suas condições psicológicas.
Sua mente irá construir outro cenário, onde não existem tantas necessidades básicas, como no mundo físico, mas, por outro lado, há uma enorme intensificação do “espelhamento psicológico”. No mundo físico, uma pessoa pode ocultar sua verdadeira natureza por trás das fachadas sociais e dos papéis assumidos durante sua vida.
No mundo sutil, isso não é possível. O “tônus vibracional” de sua alma define sua localização nesse novo cenário, e as situações aparecem em seu ambiente em uma forte sincronia com seus estados psicológicos.
O ser “viajou” para dentro de si mesmo e agora habita um mundo que reflete de forma direta e intensa suas condições psicológicas. Ele recebe diretamente o impacto de tudo o que produziu de bom e de ruim em seu ambiente de vida no mundo físico.
Ele deu um passo na direção da unidade da vida e agora habita um mundo de energias livres e fluidas. No mundo físico, o ambiente também reflete o estado de consciência, mas esse espelhamento acontece de forma lenta e letárgica, devido à tendência inercial existente naquela região de vida, onde, embora a matéria esteja em constante movimento e agitação, no nível atômico, os aglomerados de matéria parecem ser estáticos e paralisados.
Os mundos sutis, à medida que sobem na escala vibratória, têm uma crescente luminosidade e menor densidade em suas formações.
Dizem os clarividentes teósofos que as regiões superiores (ou interiores) são mundos de energias puras onde a luz predomina absoluta sobre a forma, sendo os corpos dos seres libertos que habitam essas dimensões constituídas por fulgurações luminosas, com diferentes matizes de cores e luzes, desprovidos de definição de formas ou de contornos fixos.
Se o mundo físico tem a finalidade de levar a alma a experiências compulsórias feitas sob alta compressão, os mundos sutis, onde vivemos após a morte, têm a finalidade de levar a alma a fazer suas sínteses, assimilando as lições daquela experiência de vida e recebendo em si mesma o efeito de todas as ações produzidas sobre os outros seres, para gravar profundamente o resultado dessas ações, criando novas disposições para serem realizadas em vidas futuras.
É claro que essas novas disposições serão testadas em confronto com a inércia das tendências antigas , que tendem a se repetir e reproduzir os mesmos padrões. Essa tendência a repetições de antigos padrões constitui o carma.
A linha de tendência que direcione a existência a determinado propósito ou sentido é o dharma. O carma e o dharma são as duas molas propulsoras de nossa evolução.