O chamado “caminho oculto” não deveria ser literalmente oculto e provavelmente não o será em futuro próximo.
Continua sendo oculto, não porque deva ser escondido da maioria da humanidade, e sim porque não é objeto de interesse, sendo por isso preservado de uma curiosidade frívola e dos costumeiros sarcasmos com que as almas imaturas tratam as questões espirituais afetas à plenitude humana e à transcendência humana..
O caminho oculto é uma opção sincera e definitiva feita por alguém que descobre a possibilidade de ser o agente consciente de sua própria evolução, adquirindo, com isso, uma visão de perspectiva da jornada humana, desde as origens até a reintegração final, comumente chamada de iluminação ou de ressurreição.
O alvo do caminho oculto é aquilo que no Ocidente se chama de “iniciação”. E no Oriente, “iluminação”. E as religiões tradicionais tratam vagamente pelo nome de ressurreição.
Naturalmente essas experiências culminantes só podem acontecer após um intensificado período de aprendizado, catarse purificadora e provações de diversos tipos.
O ingresso no “caminho oculto” é uma opção de adiantar-se em relação ao ritmo de crescimento habitual da humanidade, sendo, por esse motivo, denominado “caminho da vitória acelerada”.
Helena Blavatsky adverte os que se iniciam no caminho oculto sobre os sacrifícios exigidos por essa opção, visto que imediatamente acelera o esgotamento do carma, processando-se de forma rápida , porém intensificada, um carma que, em condições normais, levaria muito mais tempo para ser extinto.
Por essa razão, na fase inicial do caminho oculto, os sofrimentos se intensificam, porque todas as impurezas que estão ocultas no inconsciente vêm à tona para serem percebidas e neutralizadas.
Após esse período inicial, ocorre uma relativa estabilização, mas as provas se sucedem a intervalos regulares.
Para os poucos que têm o bom carma de encontrar um mestre em corpo físico, essas etapas são facilitadas, devido ao aconselhamento do mestre e à indução produzida pela aura do mestre poderosamente alinhada em alto teor vibracional.
Para a maioria, resta contatar o mestre nos planos internos, com pouca ou nenhuma possibilidade de recordação, porém com um aumento de “intuições” e coincidências sincronísticas, que surgem com freqüência cada vez maior em sua vida.
Uma vez que se coloca o pé no caminho oculto, não existe mais possibilidade de retorno. Pode haver mudança de método ou de escola, mas a vida perde totalmente o sentido sem o trabalho de evolução consciente, e toda desistência ou paralisação significa queda ou retrocesso.
Na antiguidade, só era possível trilhar o caminho oculto sob a égide de algumas das muitas escolas de mistérios. Toda a civilização egípcia transcorreu à sombra das escolas de mistérios, que eram uma instituição nacional, que impregnava a atmosfera do país na época áurea. Entre os gregos, existiam os mistérios órficos, eleusinos, samotrácios, pitagórigos e neoplatônicos. Entre os persas, predominavam os mistérios de Mitra, do culto Zoroastriano renovado. Entre os hebreus, houve iniciações essênias e cabalistas. Até mesmo entre as ordens cristãs primitivas, havia os mistérios gnósticos, cátaros, templários, rosa-cruzes e martinistas.
Tudo o que é “esotérico” em uma época, pode ser de conhecimento comum na época posterior. O caráter “esotérico” não deve ser visto como uma tentativa de “esconder” algo da maior parte da humanidade, mas de preservar um conhecimento da incompreensão daqueles que ainda não estão maduros para absorvê-lo e valorizá-lo. E também para proteger essas pessoas do contato prematuro com um conhecimento que nenhuma utilidade terá para seu momento evolutivo. Só trará incompreensões, discussões inúteis e decepções.
A partir de uma certa etapa da senda oculta, o trabalho consiste em transferir o foco da consciência, retirando-o gradualmente do ego pessoal e transferindo-o para o mestre interno, o Eu Superior.
Nessa etapa de transição, trava-se longo embate entre a consciência da personalidade e do Eu Superior, com muitas oscilações e sofrimentos, até que a consciência do Eu Maior estabilize seu foco e assuma definitivamente o controle da personalidade.
Antes que isso aconteça, ocorre outra intensa crise, chamada por São João da Cruz de “a noite escura da alma”, quando o ego pessoal, entrando em colapso, produz um derradeiro e desesperado esforço para se manter, criando uma sensação de desespero, abandono e aniquilação.
Após essa crise, vem a vitória definitiva e um início de um novo glorioso capítulo de nossa evolução, agora em sintonia com as forças divinas que sustentam e direcionam o universo para seus grandes propósitos.