“A PÚRPURA DOURADA”

Todos os que já estiveram apaixonados conhecem aquela intensa sensação de peso no coração. Um peso que só se alivia e se transforma em prazer quando se está presença da pessoa amada ou quando se pensa nela. Quando a pessoa amada está distante, vem a “saudade”, que é uma forma suave e até agradável de sofrimento. Quando sentimos saudade, o peso no coração só se alivia com um longo suspiro, que é uma forma inconsciente e automática de aliviar a tensão e projetar a energia à distância na direção do ser amado.

Por mais que os médicos e psicólogos se esforcem para entender o suspiro pela ótica da ciência materialista, jamais conseguirão, visto que o suspiro pertence à fisiologia da alma, ou dos corpos sutis do ser humano, algo que ainda está longe dos instrumentos de medição e detecção da ciência acadêmica.

Da mesma forma, o bocejo é um mecanismo automático de sucção prânica do corpo bioenergético, que cria um vórtice intenso de captação de energia ambiente, quando está desvitalizado, manifestação fora do alcance dos cientistas.

Tanto o suspiro quanto o bocejo são vórtices de energia etérica e astral: o primeiro causado por uma energia em excesso que tem de sair. O segundo causado por uma energia que entra para suprir um déficit.

É esse o ponto que nos interessa no momento: vórtices de energia causados pelo sofrimento.

Todos os sofredores sentem uma sensação de peso na região do coração. É claro que os materialistas irão apresentar muitas explicações neurológicas e fisiológicas desse fenômeno, mas, sob o ponto de vista do ser humano compreendido como uma unidade psicossomática, não pode haver separação entre mente e corpo: causas mentais produzem sintomas físicos. E causas físicas produzem efeitos mentais (ou psicológicos).

Se se acreditar que o sofrimento provoca de fato um vórtice de energia na região do coração, será facilitada a compreensão do presente assunto. Mas se não se acreditar na existência real desse campo de energia, não haverá problema algum para efeito desse trabalho: basta supor que estamos utilizando uma metáfora e acompanhar o raciocínio apresentado a partir da real “sensação de peso” que o sofrimento provoca na região do coração, um fato universal, sentido por todas as pessoas de todos os lugares e de todas as épocas.

Um vórtice de energia causado pelo sofrimento, quando não conscientizado, traz a sensação de “chumbo” e traz também a cor de chumbo. A pessoa se torna sombria, opaca , pesada e cinzenta.

Quando o sofrimento se torna fator de revolta ou de ódio, esse mesmo vórtice se torna negro, com a energia se descarregando através das chispas escarlates da raiva e da revolta.

Porém, se o sofrimento é conscientizado, processado e absorvido dentro de nossa vida, então o vórtice se torna de cor púrpura, uma cor intensificada que aumenta a sensibilidade e o tônus vital da alma, trazendo um grande potencial de transformação, mas sendo, ainda, uma cor pesada e carregada.

Se o sofrimento se tornar fator de transformação da alma e unificação com a dor de todos os outros seres que sofrem, então a cor púrpura emite luz dourada, como se pode ver de forma superlativa e sobre-humana nas imagens místicas do Sagrado Coração de Jesus ou no coração de Maria cravejado pelos punhais da dor, porém emitindo a luz dourada da compaixão por todos os seres que sofrem.

A púrpura emitiu luz e tornou-se a púrpura dourada.

Um ser humano, como nós, de evolução mediana, também é capaz de dourar sua púrpura, obviamente numa amplitude e intensidade menor do que os grandes seres, mas obtendo, com isso, um enorme progresso espiritual. Não aquele progresso linear, dos evolucionistas que dizem que “a natureza não dá saltos”, mas um progresso exponencial: um salto quântico de qualidade de ser ou uma transmutação alquímica da consciência.

O conceito de “natureza não dá saltos” é relativamente correto, quando se trata da evolução automática e inconsciente da natureza pré-hominal (reino mineral, vegetal e animal), embora mesmo essa possa passar por fases de intensa aceleração na formação ou extinção de espécies. Quanto à evolução ou transmutação da consciência, o postulado de que “a natureza não dá saltos” é absolutamente falso, como se pode inferir pela iluminação de Buda, dos discípulos de Jesus em Pentecostes e de todos os demais seres que atingiram uma experiência culminante.

A experiência culminante dos grandes seres é um grande insight iluminador que abrange o todo da existência.

Em nossa escala de vida, cada pequeno insight constitui uma “iluminação em miniatura”, que, mesmo não nos transformando em grandes iniciados ou iluminados, permite, sem sobra de dúvida, iluminar algum recanto obscuro da consciência, ampliando nossa cota de luz espiritual.

É necessário compreender que nem todos os insights são de natureza mental ou intelectual, embora estes sejam freqüentes e tenham o seu grau de importância. Porém os mais significativos insights são aguçamentos de sensibilidade e de empatia que nos aproximam da percepção da unicidade da vida e da conectividade entre todos os seres do universo.

Que a púrpura de todos vocês possa se tornar dourada e que a “Luz Que Dança” possa encontrar abrigo em seus corações alados!