A princípio, a intuição seria muito mais confiável do que a razão, que pode ser facilmente condicionada e manipulada, de acordo com interesses e predisposições que nós mesmos desconhecemos.
O problema relacionado ao uso da intuição é que ela é uma faculdade ainda em formação, talvez reservada para uma futura etapa da evolução humana.
Raramente podemos ter certeza da autenticidade da intuição. Freqüentemente o que entendemos por intuição é o afloramento de desejos ocultos ou de impulsos emocionais.
Como as emoções são impulsos primários, muitas vezes descontrolados, é necessário o uso da razão para harmonizar ou pelo menos estabelecer algum tipo de controle sobre as emoções, para que não se tornem destrutivas ou exageradamente agressivas.
Somente quando as emoções estão perfeitamente harmonizadas com a razão é que a janela da intuição pode-se abrir. Antes disso, a intuição é uma faculdade enganadora, mesmo que ocasionalmente possa emergir com autenticidade.
O fato é que podemos ter vários momentos de intuição autêntica em nossas vidas. O mais difícil é diferenciar as intuições autênticas das intuições falsas provocadas pelo afloramento de pulsões inconscientes ou de emoções reprimidas.
É muito comum alimentarmos o desejo que alguma coisa aconteça, e algum tempo após, termos a “intuição” de que aquilo vai de fato acontecer. É uma armadilha muito sutil e difícil de ser desarmada.
Por esse motivo, nossa atual etapa evolutiva é destinada ao desenvolvimento da razão.
Para o homem predominantemente racional, não é fácil distinguir a emotividade descontrolada do neurótico da intuição refinada do gênio. Ambos parecem ser pessoas desequilibradas e fora do eixo que ele conhece com segurança e certeza.
Interiormente, é imensa a diferença entre o gênio e o louco. Exteriormente, porém, parece ser tênue a diferença: ambos são seres que se situam fora dos comportamentos normais e previsíveis. Ambos são regidos por impulsos que estão além da estreita faixa da consciência. O gênio sendo regido por insights e inspirações da superconsciência, que está acima da razão. E o louco, pelo caos de seu subconsciente.
Ambos parecem não ser confiáveis, embora os resultados demonstrem que o homem verdadeiramente intuitivo está mais próximo da verdade e pode conseguir resultados superiores à razão.
Se examinarmos a história das grandes descobertas científicas, iremos constatar que praticamente todas tiveram uma grande dose de intuição, mesmo que a razão tenha sido utilizada para organizar, desenvolver, testar e apresentar aquelas idéias em um formato aceitável e compreensível.
Em todo ato criador, a intuição é predominante, visto que a razão não tem capacidade de criar nada. Ela pode apenas organizar, correlacionar e estruturar.
Devemos liberar nossas intuições e deixá-las fluir, evitando sempre a armadilha de tomar surtos emocionais de desejos reprimidos como intuições.