A maioria dos sonhos são “indicativos” e não interpretativos. São meros movimentos da energia psíquica, em estado revolto e descoordenado, sendo a formação das imagens oníricas um dos atributos da mente – o poder plasmador de imagens, denominado Kryiashakti, na filosofia védica indiana. A mente é capaz de representar todos os seus estados internos através de imagens e situações simbólicas, com ou sem a participação da consciência desperta.
Transformar impressões e sensações em imagens é um atributo da mente, sendo que, em estado de vigília, esse atributo é obstruído pelas impressões dos sentidos, da mesma forma que a luz do sol do meio-dia obstrui o brilho das estrelas.
Os sonhos são movimentos naturais de assentamento das experiências e das camadas da psique, tendo a função de eliminar resíduos da mente, compensar deficiências da psique, ou sinalizar nossas experiências de vida, através de mensagens da consciência global para a consciência do ego pessoal.
Geralmente as pessoas sonham continuamente, estejam acordadas ou dormindo. Basta um pequeno cochilo durante o dia para revelar que havia um sonho se desenvolvendo abaixo da linha da consciência. Quando cochilamos durante o dia, esse sonho é visto em seu desenvolvimento e não em seu início. Não sabemos quando o sonho teve início, visto que a mente, em estado de sono superficial ou de desatenção, sonha todo o tempo. Somente a mente plenamente atenta cessa de sonhar.
Esse tipo de sonho automático e contínuo, de natureza neurofisiológica, não tem muito conteúdo para ser interpretado, embora seja um bom indicador do estado de ânimo e das predisposições da psique e também do estado emocional.
A modalidade de sonho que pode ser interpretado é o chamado sonho simbólico ou sonho psicológico. Trata-se de um sonho que acontece em um estado de sono mais profundo. Nesse tipo de sonho, há uma sintetização do conteúdo das imagens em significados simbólicos, extraídos do inconsciente pessoal ou coletivo.
No sonho simbólico, existe uma aglutinação de conteúdos em significados reveladores, que podem ser interpretados por quem conhecer o sentido simbólico de cada imagem e o significado geral da mensagem. São mensagens de uma camada de ser para outra. A dificuldade de interpretar esses tipos de sonho está no significado particular de cada símbolo, que pode ser diferente para cada pessoa. E também no sentido global de sonho, que parte de uma consciência aglutinadora e sintetizadora, como é a consciência do eu superior. É difícil para a consciência parcial entender os significados da consciência integral, embora isso seja possível e seja também um excelente meio de desenvolver a intuição e a compreensão do simbolismo.
Karl Jung, que foi provavelmente o maior interpretador de sonhos de que se tem notícia, nunca interpretava um sonho isolado. Ele preferia interpretar séries de sonhos, visto que, nesse caso, os sonhos formavam um padrão de imagens e de mensagens, sendo mais fácil decodificar seu simbolismo.
Um terceiro tipo de sonho é o chamado sonho paranormal, que não é exatamente um sonho, mas uma experiência real, em estado alterado de consciência, seja através de premonições ou de projeção astral.
Nem sempre estamos despertos ou plenamente despertos em nossas projeções astrais. Isso acontece porque, durante a vida no corpo físico, o corpo astral não é destinado a funcionar como um veículo independente, mas sim como um condensador e transmissor de energia para o corpo físico.
Mesmo nas poucas ocasiões em que estamos plenamente despertos no mundo astral, raramente é possível se ter uma ampla recordação após o despertar. Geralmente só nos recordamos de fragmentos distorcidos de nossas vivências do mundo astral.
Seria mais fácil a compreensão dos sonhos se eles se enquadrassem perfeitamente na tipologia citada. O grande problema é que raramente ocorrem “tipos puros” de sonhos dentro dessa classificação. Os três diferentes tipos de sonhos se misturam entre si em graus diferentes de combinação. Podemos estar tendo um tipo de sonho paranormal e, paralelamente, o cérebro criar um tipo de sonho neurológico em cima das imagens recebidas.
Por exemplo, suponhamos que alguém esteja tendo uma experiência paranormal de flutuar no espaço em seu corpo astral. O cérebro físico, recebendo essas impressões e não encontrando nada correspondente em seus registros, cria uma imagem de estar nadando ou boiando na água, que são imagens familiares associadas àquela experiência. Nesse caso, temos um sonho paranormal emaranhado com um sonho neurológico.
Outro exemplo é quando temos um sonho premonitório associado a uma imagem simbólica. Por exemplo, o sonhador recebe o aviso de um parente próximo de que vai falecer, vendo essa pessoa abanar um lenço branco, deixa-lo cair pela janela e ser levado pelo vento. Essa é uma nítida imagem simbólica relacionada à morte e, ao mesmo tempo, uma experiência paranormal de premonição. Nesse caso, temos um sonho paranormal mesclado com um sonho simbólico.
A interpretação de sonhos é uma prática dificílima que requer grande perícia e intuição para decodificar os símbolos e entender o sentido contextual de cada mensagem.
Embora seja uma prática arriscada e sujeita a erros, é uma fascinante exploração das profundezas da mente humana e uma grande ajuda para o autoconhecimento.