Toda a filosofia do século XIX foi calcada em uma absurda dualidade ontológica entre espírito e matéria, com intermináveis disputas entre “espiritualistas e materialistas”.
Com as descobertas da física quântica ocorridas no século XX, essas discussões foram completamente esvaziadas, devido à divulgação e comprovação de novos conceitos acerca da natureza da matéria.
A matéria, em seus níveis subatômicos, revelou-se tão desprovida de materialidade que a antiga discussão perdeu o sentido.
O princípio do indeterminismo de Heisenberg demonstrou que a dança das partículas subatômicas não obedece a leis conhecidas e que o próprio átomo parece um torvelinho de energia em perpétua troca de partículas com o ambiente. Foram descobertas partículas, como os férmions e quarks, virtualmente criadas e destruídas instantaneamente, parecendo mais “acontecimentos” do que partículas propriamente ditas. Essas partículas virtuais parecem o borbulhar incessante dos átomos no meio da “sopa cósmica”.
Afinal o que é a matéria? Atualmente essa é a pergunta que não quer calar no âmbito da nova física. Essa pergunta insistente é indício de que estamos no limiar de uma grande revolução relativa à nossa visão de mundo e relativa à natureza da matéria.
Mesmo com as recentes descobertas da física quântica acerca do mundo subatômico, os paradigmas são hábitos de pensamento profundamente arraigados e não se modificam em um curto período de tempo. Ainda continuamos com os hábitos de pensamento pré-quânticos e pré-relativistas, no tocante à nossa compreensão do mundo material.
Essa revolução na compreensão da matéria pode ser traduzida pela seguinte frase: todo o universo é um campo de forças formado por um traçado quadridimensional de linhas de espaço-tempo (supercordas).
Onde esse campo se intensifica, surge a matéria.
Ainda não se sabe se a matéria é, em si mesma, a intensificação do campo de forças, ou se produz essa intensificação, mas, para efeitos práticos, essa questão é irrelevante.
Nesse sentido, a matéria seria uma curvatura intensificada da matriz espaço-tempo, ou produziria essa curvatura.
Esse conceito nos conduz a interessantes percepções sobre a natureza da matéria: todo objeto físico tem um campo magnético como os imãs, com a diferença que, nos objetos não magnetizados, esse campo está desordenado, com as linhas dispersas em diversas direções.
Nos objetos magnetizados, os spins (semigiro dos elétrons em torno do próprio eixo) estão todos sincronizados e alinhados; daí o objeto se comporta como se fosse o próprio planeta com seus pólos norte e sul magnéticos e as linhas de força bem definidas em torno dos pólos.
A partir desse raciocínio, pode-se inferir que aquelas linhas de força dos campos magnéticos são as supercordas causadas pela dobradura do espaço e do tempo nas proximidades do objeto. Elas não são um mero atributo da matéria. São a contraparte sutil da matéria nos éteres invisíveis, porém capazes de produzir efeitos muito intensos. Essa curvatura fica evidente nos objetos magnéticos, porque as linhas de força estão todas formando um desenho consistente, alinhado e direcionado.
Se abstrairmos a forma física do objeto e observarmos apenas o campo magnético que o envolve, estaremos vendo o próprio objeto na quarta dimensão.
Esse mesmo fenômeno acontece nos níveis cósmicos, com a força gravitacional, e nos níveis subatômicos com as órbitas dos elétrons, que, na realidade, não são exatamente órbitas, e sim níveis quânticos.
O mais importante desse novo conceito sobre a natureza da matéria é que traz uma noção totalmente não material para a compreensão do universo. Em outras palavras: essa nova física desmaterializou a matéria.
Tendo desmaterializado a matéria, essa nova física trouxe novas e inimagináveis possibilidades no tocante a novas formas de energia, ultrapassando as possibilidades imaginadas pela ficção.
Entendendo o universo como um campo de forças, abre-se a possibilidade de se viajar nesse campo de forças, navegando no oceano das supercordas, assim como os navegantes do passado singravam o mar revolto em suas caravelas.
Talvez nosso espanto e perplexidade diante dos OVNIs não seja algo muito diferente do espanto dos indígenas do passado diante das caravelas que aportavam em suas praias.
Os OVNIS são nada mais do que “caravelas” de alta tecnologia desenvolvidas por civilizações mais evoluídas, para navegar nas supercordas, também conhecidas como hiperespaço. Como as supercordas são a própria estrutura de espaço-tempo que sustenta o universo, o tempo tem um fluxo diferente fora dessa malha, o que não significa que se possa viajar para o passado ou para o futuro, embora se possa criar “singularidades” no curso normal do tempo, em relação a alguém que esteja em outro ponto da matriz.
Einstein expôs essa teoria e, anos mais tarde, a ciência fez testes com relógios atômicos em aviões e comprovou sua veracidade. Embora as velocidades comuns provoquem apenas uma ínfima distorção na matriz espaço-tempo, são suficientes para produzir uma singularidade registrável por meio de relógios atômicos de altíssima precisão para registrar frações infinitesimais de tempo. As velocidades próximas à velocidade da luz produzem intensas singularidades (distorções no espaço-tempo).
A velocidade da luz só é uma constante e um limite de velocidade quando a luz segue as linhas da matriz espaço-tempo. Fora dessas linhas do campo universal, não existe esse limite de velocidade e pode-se viajar a velocidades muito superiores à velocidade da luz. Pode ser que a luz seja essa própria matriz em movimento. Isso os homens do futuro irão descobrir.
Essas novas descobertas não somente desmaterializaram a matéria, como também a sacralizaram. A matéria tornou-se sagrada e não é mais a inimiga do espírito.
Agora se compreende porque a palavra matéria tem a mesma raiz da palavra latina mater (mãe). Ela é a mãe de todas as formas. A vida no universo não se poderia manifestar sem matéria que lhe desse forma e consistência. Não existe vida sem forma e também não existe forma sem vida. Mesmo no mineral, existem embrionárias formas de vida e de crescimento inteligente e padronizado como se pode perceber nos cristais.
A matéria não é “culpada” se os materialistas se refugiam no que é sólido, tangível e perceptível pelos sentidos e negam tudo o que é volátil e sutil.
A vida tem imensa variedade e possibilidades, havendo lugar para o denso e para o sutil.
O denso não está em conflito com o sutil. Ambos fazem parte da unidade do universo e da diversidade da coisa criada. Este conflito só existe na mente humana, confusa e fragmentada.
A ciência, com suas recentes descobertas, deu um gigantesco passo em direção à unidade da vida e à restauração do conhecimento unificado em que religião e ciência não são mais adversárias lutando em campos opostos.
Conforme afirmou Albert Einstein: “Uma pequena ciência afasta de Deus, mas uma grande ciência conduz de volta a Deus”.