A partir da divulgação da equação da conversibilidade de Einstein (E=mc2) e do princípio do indeterminismo quântico de Heisenberg, o materialismo definitivamente foi extinto por absoluta falta de matéria.
Se matéria é energia condensada e pode ser reconvertida em energia, como pode haver materialismo?
A física quântica foi mais além nesse movimento de sutilização da matéria: demonstrou que o observador interfere na observação, de modo que as partículas subatômicas estão de alguma forma conectadas à consciência, e que o átomo tem uma espécie de inteligência quântica, capaz de produzir padrões diferenciados de reação. Há uma espécie de dança das partículas no interior dos átomos, e os passos dessa dança são todos improvisados, estando os movimentos acima da capacidade humana de previsão e de compreensão.
Esse foi o maior choque de paradigma científico ocorrido nos últimos cem anos.
Depois disso, uma grande quantidade de físicos abandonou o materialismo e debandou para o terreno místico. Alguns mais extremados abandonaram a própria ciência e vestiram o manto de discípulos.
Ao mergulharem no âmago da matéria, viram algo que jamais esperavam ver: uma grande consciência regendo a dança das partículas. A matéria, o santuário dos ateus e materialistas, revelou exatamente o oposto daquilo em que acreditavam.
Com isso a física se espiritualizou, ficando apenas a química como o último reduto da ciência materialista.
O átomo deixou de ser o “tijolinho” sólido e consistente que parecia um bloco de construção confiável e um chão seguro para pisarmos. Revelou-se um grande vazio, onde a luz orbita em circuito fechado e as partículas virtuais como os férmions e quarks são criadas e descriadas a cada milésimo de segundo.
O átomo se revelou como uma matriz de eventos complexa e incompreensível. Descobriu-se que o átomo é um processo constante de interação com uma espécie de “sopa cósmica” borbulhante.
Com essas descobertas, o materialismo perdeu sua trincheira e teve de mostrar sua verdadeira face.
Atualmente, há dois tipos residuais de materialismo. O primeiro poderíamos chamar de materialismo ético, e o segundo, de materialismo obtuso ou materialismo canalha.
O materialismo ético é reativo. Provém de mentes de natureza crítica e horizontalmente inteligentes, que percebem o absurdo e as contradições apresentadas pelas religiões e pelas teologias. Como ainda não verticalizaram sua inteligência para buscar e elaborar uma visão própria, negam todo esse fundo religioso, ancorando sua mente no materialismo, que, pelo menos, baseia-se em evidências concretas e objetivas e não em crenças impostas e dogmas obscuros do passado.
O segundo tipo de materialismo é mais pernicioso. É uma atitude encontrada em todas as épocas, em pessoas que evitam qualquer tipo de reflexão espiritualista, para dar livre vazão às suas tendências gananciosas, libertinas, desonestas ou violentas.
Negando todos os valores religiosos e a sobrevivência da alma após a morte, racionalizam e “justificam” suas tendências mesquinhas; afinal, nada têm a perder, já que não existe continuidade da vida. Para essa gente, o materialismo é uma questão de conveniência: se Deus não existe, tudo é permitido.
A essa classe de materialistas está reservado um grande sofrimento, por bloquearem sua própria consciência para dar asas à parte mais abjeta de sua natureza.
Ao contrário do final do século XIX, em que praticamente todas as pessoas cultas eram materialistas, atualmente ser materialista é sinal de estreiteza mental e incompreensão da própria ciência. Está fora de moda ser materialista, uma vez que a própria ciência desmaterializou a matéria.
Essa última espécie de materialismo fecha os canais de contato entre o eu pessoal e o eu transpessoal, devido à atitude negativista e manipulativa e à visão reducionista aplicada ao universo.
Em um conceito mais espiritual e elaborado sobre a natureza da matéria, pode-se dizer que a matéria é luz, proveio da luz e retornará à luz.
O falecido Professor Huberto Rohden afirmava que “Por ser lucigênita, a matéria tem de ser lucificada, ao final do ciclo”.
Ken Wilber, pensador holístico e famoso budista, afirmava que “A matéria é o poder exteriorizador da consciência, causando-nos a ilusória impressão de que o mundo está fora e separado de nós mesmos” (da obra ConsciênciasemFronteiras).
Há um grande mistério da lucificação da matéria, que está manifestado na ressurreição de Jesus em seu corpo de glória. A “Ressurreição” de Jesus é uma edição antecipada do destino de toda a humanidade no final do ciclo, quando a consciência, elevada ao mais alto grau possível para um ser humano, levará sua contraparte (a matéria) à sua forma sublimada de plasma luminoso, totalmente obediente ao comando da consciência, e reflexo perfeito dos níveis espirituais mais elevados.
Então, o homem terá realizado em seu próprio corpo o mistério alquímico da pedra filosofal, capaz de transmutar todos os elementos.