U m dos conceitos mais elevados, mais sutis e mais complexos de toda a Religião-Sabedoria da humanidade é a noção de Logos.
O Logos é um padrão da consciência universal que se manifesta e opera em uma determinada região do universo, como se fosse um “Deus Criador”, dentro da esfera de manifestação de seu sistema estelar. Eles são a “alma e o espírito” de cada sistema solar.
Embora existam bilhões de bilhões de Logos criando e sustentando a vida em cada sistema estelar, esse fato não nega a existência de uma divindade suprema.
Comparados com a Divindade Suprema, cada um dos Logos seria como se fosse uma pequena ameba, ou uma gota d’água no oceano, embora nós, seres humanos, pudéssemos ser comparados a amebas, perante a imensidão da consciência e da magnitude da manifestação do Logos de nosso Sistema.
Os Logos são seres que evoluíram em extintos universos do passado, em condições senão idênticas, pelo menos análogas às nossas condições atuais, tendo sua consciência se expandido de tal forma, que se tornaram “deuses criadores” dentro do círculo de manifestação de seu sistema solar.
Jesus aludiu a esse fato quando falou “no grão de mostarda, que cresceu tanto, que se tornou uma árvore imensa, onde as aves do céu vêm fazer seu ninho”.
Os Logos personificam o aspecto imanente da divindade, manifestada na diversidade, da qual se tornaram perfeitos canais de expressão. Essa perfeição foi potencializada por uma longa evolução. Há uma unidade misteriosa entre o Absoluto e suas formas de manifestação. Um simples anjo é uma personificação da potência divina em manifestação em algum aspecto da existência. Um Logos é um poder de manifestação infinitamente superior ao do anjo, visto ser capaz de criar um campo de evolução para um número inimaginável de criaturas de diversos níveis e diversas ordens de evolução.
A Divindade em si, em seu aspecto pleno e absoluto, é de uma grandeza e de uma amplidão totalmente fora da compreensão humana. Tentarmos compreender a Divindade em seu aspecto transcendente seria algo semelhante a uma bactéria que habita nosso intestino tentar compreender nossa vida e nossos propósitos.
O Logos, sendo uma divindade imanente, permite-nos uma possibilidade maior de compreensão de sua obra, ainda que em escala reduzida e parcial. Existe ainda um resíduo de personificação em um Logos, que é simultaneamente um padrão de expressão da consciência universal e também um ser evolucionante, que passou pelas etapas que atravessamos hoje e que evoluirá para níveis cósmicos ainda mais elevados.
Por analogia, podemos ter alguma compreensão da manifestação do Logos, embora seus propósitos e seu plano de manifestação só sejam acessíveis a seres já realizados e integrados no grande plano.
Há também os Logos Galácticos que se manifestam como inteligências das galáxias e os Logos Cósmicos que operam em níveis ainda mais elevados. É provável que haja níveis de manifestação ainda mais altos, mas, a partir daí, toda essa grandeza escapa do nosso insignificante ponto de vista e tudo são conjecturas..
Há Logos de sistemas estelares em diversos graus de evolução. Consta nas mais antigas tradições que o Logos de Sírius seria uma expressão mais antiga e mais completa, manifestando-se como um sistema mais evoluído do que o nosso sistema solar, sendo, analogamente, considerado o genitor do nosso Logos e o patrono de sua manifestação, ao qual estaria profundamente vinculado.
Obviamente a analogia com os processos de reprodução biológica é apenas ilustrativa, visto que nada podemos entender, na etapa atual, desses imensos processos cósmicos.
Podemos inferir que o Sol seja algo semelhante (análogo) ao coração físico do Logos Solar, distribuindo seu “sangue” (a luz) para todos os órgãos de seu organismo (conjunto de planetas visíveis e invisíveis). Esse sangue (a luz) conduz as hemácias (fótons luminosos), que, por sua vez, conduzem a hemoglobina vital (o Prana), para vitalizar e energizar todos os seres que vivem dentro do sistema, distribuindo amorosamente seus influxos de luz, calor e vitalidade.
Os povos antigos tinham uma noção intuitiva da “lei do Sacrifício” (sacroofício), que é a base da manifestação. O Logos, para sustentar a vida no sistema, doa em sacrifício sua própria vida, para sustentar a vida dos seres no sistema. À medida que doa sua vida, recebe dos níveis cósmicos superiores um maior afluxo de vida do que aquele que é doado, realizando um dos maiores mistérios do universo: que é preciso doar vida para receber vida. Ou que é “preciso morrer para se ter a vida eterna”.