U m dos mais polêmicos e controvertidos temas da tradição esotérica é a existência da Fraternidade dos seres excelsos e iluminados, que transcenderam a condição humana, mas ainda se mantêm no limiar da vida em evolução no planeta, em auxílio a seus irmãos mais jovens na senda eterna. Esse agrupamento de seres luminosos também é conhecido como a Fraternidade Branca dos Adeptos.
Para o estudante sério, vinculado às escolas tradicionais, nunca houve dúvidas quanto à existência dessa confraria, embora seja um tema complexo e delicada a maneira como esse assunto pode ser exposto ao grande público.
O ensino católico tem um símile para a Fraternidade Branca, que é a “Comunhão dos Santos”, entendendo-se por “santo” um ser que ultrapassou os limites normais da condição humana, por ter desenvolvido virtudes, consciência, devoção e disposição para o auto-sacrifício, além da média da humanidade.
Todavia, esse título de “santo” só poderá ser percebido com absoluta seriedade quando se referir a todos os seres que atingiram esse elevado estado, e não somente ficar restrito aos seres agraciados por determinado movimento religioso. Quando os mártires massacrados pela inquisição medieval forem vistos pela mesma ótica que os mártires cristãos eliminados pelos romanos, então poderemos considerar a santidade um assunto sério e universal.
Para uma pessoa de mente ampla e universalizada, é absolutamente inaceitável que a realização (santidade) fique restrita a determinado núcleo religioso, ou mesmo a determinada religião. Obviamente há “santos” e seres realizados em todas as grandes correntes religiosas do mundo, ou fora de qualquer uma delas.
O conceito da Fraternidade dos seres transcendidos eleva a noção de comunhão dos santos a um nível de universalidade e independência de qualquer credo religioso, tornando-o um fato inerente à realização do potencial humano e ao alto estágio evolutivo desses seres.
Evidentemente, se vemos na natureza níveis evolutivos anteriores à evolução humana média, deve também haver níveis evolutivos posteriores, visto que a humanidade, em seu estágio atual, não deve ser o máximo grau de evolução do universo.
É também de se esperar que muitos desses seres, tendo ultrapassado o limite da evolução humana comum, mantenham-se em posição de poder auxiliar a marcha dos que se acham à retaguarda, percorrendo as etapas que eles mesmos já trilharam no passado.
A existência da Fraternidade Branca dos Adeptos, portanto, é fato absolutamente normal e previsível dentro de um amplo plano de realização e de evolução estabelecido para o planeta.
Quanto à forma de atuação dessa Fraternidade no mundo, causa estranheza a muitas pessoas a forma sutil, evasiva e quase imperceptível com que atua, e o motivo de permitir que o mal no mundo, os poderes sinistros dos criminosos e ditadores se alastrem e causem tanto sofrimento.
A razão dessa forma sutil e indireta de atuação está relacionada às complexidades e implicações do mecanismo do carma e à necessidade de esgotamento das causas cármicas passadas.
Os seres realizados, que já ultrapassaram os limites da condição humana, têm uma percepção clara do carma operante em cada situação e das linhas de tendência e direção que as ações devem tomar. Sabem que o carma é uma lei universal, a que tudo no universo está submetido e que o descumprimento, ou a interrupção indevida dessa lei pode causar uma acumulação de força explosiva e incontrolável.
Por isso, esses seres atuam de modo que a lei do carma se cumpra da forma mais produtiva e menos sofrida para a humanidade. Eles podem atenuar os efeitos do carma, dentro de certos limites. Podem também inspirar ações que anulem, ou suavizem o carma pendente. Mas não podem impedir o cumprimento da lei e nem bloquear o carma maduro.
Ainda temos uma compreensão muito precária do conceito do carma. Ainda percebemos equivocadamente o carma como “castigo” ou como conseqüência de uma causalidade linear, como se cada causa tivesse seu efeito único.
Na realidade, o carma é uma função muito complexa, causada pela interação dinâmica e interatuante de um conjunto de causas, que geram efeitos sobre indivíduos, sobre coletividades, sobre nações e sobre a humanidade.
O carma representa a forma como afetamos a totalidade e a recíproca forma de como a totalidade nos afeta. Representa nossa relação com o todo da existência.
Para não interferir de forma direta na ação do carma, os seres iluminados adotam essa forma sutil e discreta de atuação nos destinos dos indivíduos e das nações, somente interferindo de forma mais decisiva nas situações-limite, em que há risco iminente de destruição da vida no planeta, ou quando as forças destrutivas ultrapassam sua órbita de atuação dentro da lei de equilíbrio do universo.