Nenhuma das leis da sabedoria oculta é mais distorcida
e mal interpretada do que a chamada “lei do Eterno Retorno”. Essa
lei é atualmente tão mal compreendida, quanto foi no passado
a lei da reencarnação, confundida e obscurecida pela obtusa
e obscura idéia da metempsicose, ou reencarnação de seres
humanos em corpos de animais.
A lei do eterno retorno não significa que os mesmos eventos retornem
no tempo, ou que, em algum ponto do universo, fiquem se repetindo infinitamente.
O que esta Lei significa é que a eternidade abarca o tempo e, portanto,
todo o passado e todo o futuro estão contidos no momento eterno (no
agora).
Como o passado está contido no presente, é normal que os padrões
de eventos passados aflorem no presente de forma cíclica, na vida das
pessoas individualmente, ou das coletividades. Mas obviamente não são
os mesmos eventos. São padrões de eventos que se repetem de
forma análoga, o que não significa de forma idêntica.
Freqüentemente os personagens envolvidos nesses padrões de eventos
trocam de lado, para experimentarem em si mesmos os efeitos das ações
que produziram em outros.
Exemplificando: os romanos que invadiram os países bárbaros,
espalhando o terror e a mão de ferro da Pax Romana, são finalmente
invadidos pelos bárbaros visigodos, que espalham o terror e saqueiam
as cidades, assassinando milhares de cidadãos romanos.
O fim do império romano segue o mesmo padrão ocorrido anteriormente,
no fim dos impérios egípcios, persa, assírio, babilônio,
hitita e outros.
Os padrões de eventos retornam no tempo, em escalas de intensidade
diferentes, com tendência a uma diminuição gradativa de
intensidade, até que a energia gerada por esses eventos seja equilibrada
e anulada por outros movimentos pendulares.
Na realidade, todas essas leis fundamentais do universo estão relacionadas
entre si, sendo aspectos diferenciados da mesma lei. Assim, a Lei dos Ciclos,
a Lei do Karma, a Lei do Dharma, a Lei da Reencarnação, a Lei
da Evolução, a Lei da Sincronicidade e a Lei do Eterno Retorno
são aspectos diferenciados de um mesmo processo, que não podemos
perceber em sua totalidade, por ser amplo e complexo demais para nossa compreensão.
Até a Lei da Gravidade e a Lei da Relatividade são aspectos
integrantes desse mesmo modus operandi do universo.
Nossa percepção parcial e fragmentária é que cria
a ilusão de que existem muitas “leis” operando separadas.
Tudo isso faz parte da dinâmica da manifestação divina
e tudo isso se unifica na percepção da unidade da vida.
A Lei do Eterno Retorno é, provavelmente, o aspecto mais complexo de
todo este processo cósmico, porque contém o mistério
do tempo.
Como o momento eterno contém toda a eternidade, todo o passado e todo
o futuro estão “compactados” nesse instante eterno. Assim,
de alguma forma, o passado tem de se manifestar no presente, do mesmo modo
que o futuro.
Cada pessoa traz gravado em si, em cada instante de sua vida, todo o amargor
dos erros e sofrimentos passados, mesclados com o esplendor da perfeição
que se manifestará no futuro. O que forma o presente é a maneira
como o passado se desdobra e produz eventos, no sentido de se equilibrar e
amoldar-se ao futuro, que, de alguma forma também está ali no
presente, embora compactado e mesclado com o passado.
É daí que surge a complexa questão do livre arbítrio
e do determinismo, que não pode ser esclarecida, se não houver
compreensão das leis básicas que regem o destino.
Existe simultaneamente livre arbítrio e determinismo. Não podemos
mudar os fatos passados, nem podemos impedir que os padrões do passado
retornem e afetem nosso presente. Mas como o passado está contido no
presente eterno, ao mudar o presente, estamos acrescentando algo novo a este
passado (então, de alguma forma, mudamos o passado, ao modificarmos
esses padrões).
Ao fazermos isso, mudamos também o futuro, porque o futuro nada mais
é do que o retorno dos padrões de eventos que produzimos no
passado, sendo este modificado constantemente pela incorporação
dos novos movimentos que vão sendo inseridos no presente ativo.