OS ANTIGOS ADORADORES DO SOL

Nas grandes civilizações extintas, havia, entre os adoradores do Sol, uma intuição que nos falta atualmente.
Além da adoração do sol visível, que era o doador de vida, o fornecedor da luz e o sustentador do mundo, aqueles homens do passado tinham a percepção intuitiva de que havia algo mais por trás do sol visível.
Muitas dessas antigas civilizações cultuavam especificamente o Deus-Sol na figura de Apolo, na Grécia, Ra, no Egito, Agni, na Índia, Mithra, na Pérsia, Huitziloptli, entre os astecas e muitos outros.
Em todas essas culturas, havia a percepção intrínseca de que o Sol tinha uma natureza divina ou de que era parte de um grande propósito divino.
O faraó Akhenaton ou Amenófis IV promoveu uma grande revolução religiosa no Egito quando tentou substituir o culto politeísta tradicional por um culto unificado baseado no culto do disco solar Aton.
Porém o deus que Akhenaton tentou substituir e eliminar também era solar: Amom-Ra, um sincretismo entre o antigo deus antropomórfico de Tebas (Amon) e a divindade solar de Heliópolis (Ra).
A revolução fracassou, mas lançou o germe do monoteísmo e foi a primeira grande reforma religiosa promovida na história humana.
O cristianismo suprimiu os cultos pagãos baseados na adoração da natureza, mas ficou, de forma velada, a sagração do sol, expressa no hostiário da missa católica, ou da irradiação solar do coração chamejante do Cristo, irradiando sua luz redentora sobre a humanidade.
Há uma profunda analogia entre o sol e o coração, como se percebe pelo signo solar de leão que rege este órgão do corpo humano. O sol é o coração do sistema solar, da mesma forma que o coração é o sol do ser.
Pode ser que a afirmativa de que o sol é o coração do sistema solar seja algo mais do que uma simples metáfora.
Da mesma forma que o coração é o distribuidor de sangue para todo o organismo, o sol distribui luz para todas as partes do sistema solar. Seria forçada a analogia entre a luz e o sangue dos organismos biológicos?
O sangue conduz as hemácias que levam o alimento a todas as células. A luz conduz o Prana, a energia vital que nutre todos os seres com vitalidade.
Há uma série de outras analogias, que ilustram como há uma correspondência entre o sol e o coração.
Segundo diversas tradições iniciáticas, o Sistema Solar é a manifestação física de um grande organismo cósmico, conhecido como o “Logos” (ou Savitur,ou Ishwara etc), um padrão da consciência universal que se manifesta em uma determinada área do universo, como se fosse um “deus em escala menor”, criando um microuniverso dentro do círculo de seu sistema.
Essa idéia não elimina a noção de uma divindade suprema única. Porém enriquece essa noção, afirmando que a Divindade suprema se desdobra em infinitas manifestações imanentes, denominadas Mônadas, um foco do Supremo em escala menor, e que, todos os seres têm essa divindade manifestada em sua natureza mais íntima e profunda.
Os Logos seriam seres que evoluíram em universos passados, a tamanhas alturas, que se manifestam atualmente como entidades cósmicas e criadores de mundos, embora estejam infinitamente longe da divindade suprema, cuja magnitude é tão grande, que não podemos sequer imaginar.
Nosso sistema solar seria uma dessas entidades. Foi a Ele que se referiu Paulo de Tarso, quando afirmou que “Nele nos movemos e temos o nosso ser”.
O sol seria o coração dessas entidades cósmicas colossais, da mesma forma que cada estrela do universo é o coração de um Logos que estabeleceu seu sistema de manifestação em alguma região longínqua do universo.
Na infinitude do universo, não se podem estabelecer escalas de grandeza nem de comparação, porque, perante o infinito, todas as grandezas são nulas.
Portanto não se pode afirmar que o sistema solar seja “‘grande”, porque perante o infinito todas as grandezas se reduzem a zero. Ele simplesmente é o que é.
O homem não se deve colocar como a medida das coisas, visto que aquilo que parece “grande” pode se tornar “pequeno” se tomarmos outro referencial de comparação.
Nessa era de racionalismo voltada para o concreto, quantitativo e mensurável , deve-se ao menos admitir a hipótese de que os povos antigos tinham uma capacidade intuitiva que perdemos e poderiam estar certos ao perceberem uma manifestação divina no Sol.
Afirmar que o Sol é apenas uma massa de átomos de hidrogênio, sendo transformados em Hélio, por reação de fusão nuclear e emitindo luz e calor como conseqüência dessa reação, é algo semelhante a afirmar-se que A Bíblia ou Os Lusíadas são apenas um volume de meio quilo de papel com caracteres impressos.
Tudo o que existe está repleto de divindade. Porém é no sol que a expressão manifestada da vida divina exibe maior fulgor, esplendor e irradiação de amor, luz, calor e vitalidade.