Muitos são os caminhos de realização e muitas são as etapas que devem ser atravessadas na senda.
O caminho mais seguro e natural de todos é aquele que leva primeiramente ao desenvolvimento do amor. Em seguida da inteligência. E finalmente da vontade. Tanto o amor, quanto a inteligência e a vontade são formas de manifestação de um princípio que paira acima de todas elas: a consciência.
Os desenvolvimentos acelerados e desequilibrados podem levar a grandes riscos e a perigosas quedas, com dolorosas conseqüências.
Tanto o caminho do mago quanto o do médium são caminhos perigosos e antinaturais.
Se corretamente trilhados, podem acumular méritos e contribuir para a realização espiritual.
O caminho do mago valoriza o potencial ativo do ser humano, atuando como agente direto e operando com a própria vontade, associada à imaginação.
O caminho do médium valoriza os aspectos passivos e receptivos, em que o ser humano torna-se instrumento de uma inteligência externa, à qual se submete como mero transmissor.
No caso do mago, há o risco da inflação do ego, criando uma síndrome de onipotência narcísica e de ter a capacidade de se intrometer em processos, cuja plena compreensão está fora de seu alcance.
No caso do médium, há o risco de instrumentalização do ser humano, da negação dos valores do livre arbítrio e da vontade própria, que se torna enfraquecida, sempre que o agente abre mão de seu próprio discernimento e capacidade de expressão, tornando-se um mero aparelho de alguma inteligência externa.
Naturalmente, esses riscos podem ser evitados, mediante a ação constante do discernimento e da autocrítica, mas nem sempre isso é feito, acarretando, infelizmente, desvios freqüentes.
O mago exerce uma faculdade ativa, e o médium, uma faculdade passiva, mas ambos lidam com forças e entidades que podem não ser aquilo que aparentam ser, ou que afirmam ser.
De modo geral, todas as pessoas têm essas capacidades, em um grau maior ou menor, embora nem todos permitem que elas se aprofundem e se tornem determinantes em suas vidas. E é melhor que seja assim.
Se alguém tem uma tendência mediúnica cármica e irrefreável, deve naturalmente exercer e desenvolver essa capacidade e aplicá-la ao bem comum. Todavia, essa tendência mediúnica não deve ser valorizada, nem procurada. Há muitas outras maneiras de se prestar ajuda aos semelhantes e de fazer a caridade, sem precisar tornar frouxas e elásticas as conexões de seus corpos existenciais, de modo que tendam a afastar-se à menor pressão.
Da mesma forma, ninguém deve pretender ser mago, para tornar-se “poderoso”, “admirável” e soltar raios e trovões por todos os orifícios do corpo.
A magia só é válida quando associada a um propósito ético e impessoal. Não se deve retirar forças do reservatório universal para atender a propósitos egoístas, mesquinhos e insignificantes.
O caminho natural, mesmo para aqueles que buscam as ciências ocultas, é desenvolver primeiramente a própria consciência, através das duas asas que Deus deu aos humanos: o amor e o discernimento, exteriorizando essas duas notáveis capacidades em termos de serviços prestados aos semelhantes. (“quem quiser ser o primeiro, seja o servidor de todos”, ensinou Jesus).
Dentro dessas linhas naturais de desenvolvimento, as faculdades psíquicas e os poderes latentes do homem se desenvolverão gradativamente, à medida que a consciência se expandir.
O desenvolvimento prematuro de poderes e capacidades psíquicas é fonte de muitos problemas e muitas possibilidades de queda, porque o homem passa a ter acesso a informações e imagens, que não pode entender e processar plenamente.