Uma das mais complexas e intrincadas leis do universo
é a chamada Lei dos Ciclos, porque envolve complicados cálculos
de matemática cósmica para estabelecer a medida de ciclos dentro
de ciclos. A lei dos ciclos existe porque o próprio cosmos tem sua
existência regida por períodos de Manifestação
e de Repouso, conhecidos respectivamente por Manvântara e Pralaya.
Sendo o universo regido por esse movimento alternado e cíclico de atividade
e recolhimento, não fica difícil compreender que tudo o que
existe dentro dele tenha um padrão semelhante, uma vez que as partes
têm necessariamente de se comportar de modo análogo ao todo onde
está contida.
A palavra “ciclo” provém do grego cyclus, que significa
roda.
Há infinitos ciclos dentro de ciclos. O ano é um ciclo, divido
em meses, que se dividem em dias, que se dividem em horas, que se dividem
em minutos, que se dividem em segundos, e assim sucessivamente. Tudo isso
são ciclos de tempo.
Da mesma forma que existem os pequenos ciclos de tempo, existem também
os grandes ciclos de tempo cósmico que regem a existências das
galáxias, dos sistemas solares e dos planetas.
O ciclo do universo é medido em milhares de bilhões de anos.
O ciclo das galáxias é medido em centenas de bilhões
de anos.
O ciclo dos sistemas solares é medido em dezenas de bilhões
de anos.
O ciclo dos planetas é medido em unidades de bilhões de anos.
A unidade básica para medida de tempo cósmico é o kalpa,
que perfaz 4.320.000.000 anos, subdivididos em:
Satya Yuga Idade de Ouro 1.728.000 anos
Tetra Yuga Idade de Prata 1.296.000 anos
Dvapara Yuga Idade de Bronze 864.000 anos
Kali Yuga Idade do Ferro 432.000 anos
Dentro de cada um desses ciclos, repete-se a mesma ordem,
ou seja, dentro do Kali Yuga, temos uma pequena idade de ouro, uma pequena
idade de prata, uma pequena idade do bronze e uma pequena idade do ferro,
dentro da grande idade do ferro, que é exatamente o período
que estamos atravessado atualmente, e felizmente nos aproximando do ponto
de saída.
Esses cálculos provêm dos Upanishads, na seção
entitulada “Cômputos de Assuramaya”, sendo de uma antiguidade
imemorial.
Dentro dessas eras cósmicas, temos uma série de ciclos menores,
sendo os principais deles ligados ao fenômeno da precessão dos
equinócios, em que o sol no equinócio nasce no ponto vernal
onde a elíptica cruza o equador celeste, fica dentro de determinado
signo, marcando as chamadas eras zodiacais, cuja duração é
de 2.160 anos, perfazendo um ano cósmico de 25.920 anos.
Todas essas medições de tempo cósmico faziam parte da
astrologia antiga, em que as civilizações orientadas para a
magia e para os astros tentavam criar símiles no mundo terreno, para
estabelecer a conexão ritual entre a Terra e o Céu.
É essa mentalidade dos povos antigos que a modernidade tem imensa dificuldade
em compreender. Esses povos acreditavam que, para manter a ordem no mundo,
seria necessário manter um alinha analógica entre o mundo celeste
e o mundo terrestre.
Por isso, todos os templos, construções, palácios e monumentos
seguiam os padrões da esfera celestial. E a marcação
de tempo da vida cotidiana deveria seguir em escala reduzida os padrões
de tempo cósmico, para que a harmonia das esferas celestiais se refletisse
na natureza e na vida social.
Havia algo mais do que mera superstição nessa visão do
mundo dos povos primitivos. Havia uma percepção, que perdemos
na atualidade, de que há uma correspondência secreta entre tudo
o que existe no universo.
A missão dos sacerdotes e astrólogos nessas antigas comunidades
era servir de ligação entre a Terra e o Céu, realizando
os ritos que mantivessem essa conexão sempre bem estabelecida e atualizada.
Eles sabiam que, se essa conexão fosse rompida, o resultado seria o
caos, a guerra, a fome, as doenças e a devastação.
A perda de contato com a ordem cósmica e a fixação da
mente nos elementos mais densos e materiais da realidade é exatamente
a essência do Kali Yuga e a causa do afastamento entre o homem e a natureza
e de toda a devastação do mundo moderno.
Todavia, todas as eras têm sua finalidade e seu propósito. O
Kali Yuga, por ser o período de maior densidade, é o que causa
o maior sofrimento; exatamente por isso serve como “bóia de sinalização”
de que chegamos a uma situação-limite e que é necessário
voltar à fonte da vida.
Esse é o exato sentido da parábola do Filho Pródigo,
que, muito mais do que um drama de amor paternal e júbilo pelo pecador
arrependido, simboliza toda a jornada humana através das eras.