A vida está sempre nos lançando desafios e situações conflitivas.
Todos gostaríamos de nos ver em uma situação em que todos os problemas desaparecessem e pudéssemos usufruir um lazer e uma tranqüilidade sem interrupções.
As pessoas que tiveram a felicidade ou a infelicidade de viver situações desse tipo constataram que tal condição de vida se transformou em um novo problema difuso, indefinido, mas de efeitos torturantes e avassaladores.
Recentemente, a psicologia descobriu que a inexistência de estresse é tão destrutiva quanto a ocorrência de um estresse muito elevado.
Temos uma programação biológica e neurológica pata lutar e enfrentar desafios. Na ausência de desafios, entramos em processo de autodestruição.
A bem da verdade, deve-se ressaltar que são muito raras tais ocasiões, pois a vida é feita de desafios, problemas e obstáculos a serem transpostos.
Toda essa sucessão de problemas visa colocar nossos limites à prova e levar-nos à autocompreensão e à auto-superação.
Esse movimento constante de problemas e desafios é intercalado por alguns raros períodos de maior estabilidade e calmaria e outros raros períodos de crise e convulsão em que tudo parece virar de cabeça para baixo e faltar chão sob nossos pés.
Todavia, esses momentos de crises agudas são raros, da mesma forma que os momentos de grande euforia e estabilidade.
Existem ainda outros momentos especiais em nossa vida, igualmente raros: momentos em que nos elevamos acima dos problemas banais do cotidiano e pairamos acima deles. Ficamos harmonizados conosco e com o ambiente que nos cerca, de modo que os problemas parecem deixar de existir. Nessas ocasiões, apenas olhamos para os problemas e paramos de reagir a eles. Quando isso acontece, os problemas deixam de existir. Tornam-se apenas eventos intercalados no fluxo contínuo e infinito da vida.
Esses são os únicos momentos em que somos realmente felizes.
Geralmente identificamos nossa felicidade com momentos de intenso prazer e euforia, mas são momentos fugazes e trazem o germe de seu próprio esvaziamento. São como a bebedeira de sábado à noite que já traz o germe do enjôo, do fastio, da ressaca e da dor de cabeça da manhã de domingo.
De modo geral, passamos nossas existências às voltas com problemas cotidianos de diversos tipos, adaptando-nos e convivendo com esses problemas de forma sonolenta e embotada, até que um desafio mais intenso nos desperta de nosso torpor.
Nossa primeira reação é o desejo de ficar livre daquele incômodo. Reagimos como se o problema viesse de fora de nós e nos atingisse. Raramente o percebemos como uma parte de nós mesmos que estava latente e emergiu.
Por pior e mais incômodo que seja o problema, ele tem um lado positivo: nos despertou. Imediatamente reagimos e quase sempre a reação é inadequada. Reagimos tentando nos livrar do problema, ao invés de compreendê-lo. Na própria compreensão do problema, ele quase sempre se dissolve.
Os problemas existenciais não foram feitos para serem resolvidos, e sim para serem dissolvidos.
A maior parte dos problemas que nos aflige não é resolvida nem dissolvida. Eles são apenas refratados ou “mal resolvidos”. Com isso deixam um resíduo pendente, semente de novos problemas, gerando o processo de recorrência, em que os problemas se repetem e a solução inadequada de um problema se torna a matriz de um novo problema, que demanda uma nova solução, em um ciclo vicioso sem fim.
Tudo isso acontece devido à nossa incorreta reação aos problemas.
A reação incorreta produz medo, raiva, desespero, ansiedade, revolta, apatia, autopiedade e alienação.
As reações incorretas do tipo “ativo” geram o conjunto de reações emocionais de agressão, revolta, hostilidade e violência, mobilizando energias destrutivas e conflitantes.
As reações incorretas do tipo “passivo” geram outro conjunto de sintomas, produzindo medo, paralisia, baixa auto-estima, autopiedade e construção de armaduras defensivas..
Ambas as formas de reação são sementes de problemas novos e agravados, visto que, além de não solucionarmos o problema original, criamos uma cadeia de novos problemas, que advirão em conseqüência do primeiro.
Sendo assim, qual seria a atitude correta a tomar? O primeiro passo é compreender que a vida é toda feita de desafios, problemas e riscos. Não há como evitá-los, embora não se deva procurá-los, nem criar condições imprudentes que facilitem sua ocorrência. Eles virão por si mesmos no curso da existência.
O segundo passo é ter uma atitude positiva de compreensão, associada a uma atitude proativa de ação.
O grande “nó” que impede a solução dos problemas é a falta de compreensão, associada à falta de positividade.