PROBLEMAS...PROBLEMAS...

A própria palavra “problema” atrai novos problemas.
Na realidade não existem problemas. Existem fatos. A reação da mente aos fatos é que gera uma reação em cadeia de pensamentos, ansiedade, sentimentos, sensações e sofrimentos que produzem aquilo que chamamos de “problema”.
Em certa medida, essas reações são inevitáveis, visto que ninguém pode ser indiferente aos fatos perturbadores que nos atingem durante nossa jornada.
Sempre pensamos que nossa verdadeira vida irá começar quando os problemas acabarem. E para nosso espanto, o “estoque” de problemas que a vida nos reserva parece não ter fim. Quando termina um ciclo de problemas, outro lote tem início.
Com todos os incômodos e transtornos que esses problemas nos causam, temos de admitir um benefício trazido por eles: ficamos mais despertos momentaneamente, embora o acúmulo de problemas mal resolvidos possa gerar um desgaste que diminui definitivamente nossa inteligência e sensibilidade, podendo, em casos extremos, produzir estados neuróticos ou psicóticos, ou levar à morte por estresse.
Por outro lado, se ficarmos totalmente sem problemas e desafios, caímos em um estado de entorpecimento e passamos a existência a dormir.
Os problemas ou os fatos que os desencadearam são, na verdade, desafios e sinais significativos que a vida nos envia.
Raramente entendemos os problemas como desafios e sinais. Vemos os problemas (fatos) como agressões e castigos enviados por algum carma negativo ou por alguma entidade maléfica do além, que não gosta de nós e se apraz em nos perturbar.
Mesmo quando existe de fato algum agente externo causando o problema, ele não deixa de ser um desafio e um sinal.
O que precisamos compreender é que os problemas não são fatos externos que nos atingem ao acaso. O problema não é diferente de nós. É uma parte conflituosa de nossa psique que está se exteriorizando e se projetando no mundo exterior como se ele fosse um telão.
O problema ajuda nossa autocompreensão, se soubermos decodificar seus sinais.
Não é fácil a interpretação correta desses sinais, porque a consciência normal que temos em estado de vigília tem poucos recursos para entender a intrincada teia de eventos da totalidade. Nossa relação com o todo é complexa e emaranhada, e há muitas facetas de nossa alma que desconhecemos.
O processo que desencadeia os eventos é uma ação intrínseca, automática e impessoal da totalidade.
Essa ação não quer saber se entendemos ou se não entendemos esses sinais. Eles acontecem por si mesmos, pois fazem parte da dinâmica da existência. Se os entendemos, tanto melhor. Isso contribuirá para nossa expansão de consciência e para ficarmos livres mais rapidamente daquela cadeia de eventos que gerou esse problema. Se não compreendermos o sentido dos sinais, não fará nenhuma diferença. Eles continuarão a acontecer até que os efeitos produzam o esgotamento das causas que os produziram.
Um dia, quando estamos já amadurecidos e, talvez, amargurados com tantos problemas, descobrimos que eles não são diferentes da vida: Eles são a vida. Viemos aqui para passar por isso, para enfrentar esses desafios e fazer nossas sínteses através da vivência dessas situações, quer tenham sido solucionadas ou não.
Todos os problemas e situações são passageiros, mas se não nos posicionarmos corretamente em relação a eles, retornarão ao “estoque latente” e se manifestarão outra vez em nova etapa de nossa vida, dentro do chamado “processo de recorrência”, que faz com que padrões de acontecimentos se repitam na vida das pessoas.
Ninguém deseja problemas, mas ninguém fica totalmente livre deles. A rejeição dos problemas (dos fatos geradores) agrava-os e cria novos problemas, levando-nos ao estado ativo de revolta, ou ao estado passivo de autopiedade, ambos indesejáveis e prejudiciais.
Por isso, deveríamos agradecer a Deus por nos enviar problemas. Significa que a existência plena está-se lembrando de nós e estamos sendo colocados em movimento no “tabuleiro de xadrez” da existência.

Naturalmente, quanto mais assimilarmos as lições contidas em todos esses “problemas”, mais rapidamente os superaremos, visto que sua finalidade é, em última análise, produzir um processo de expansão da consciência, através das lições da vida.