A LONGA JORNADA HUMANA OU
O PROCESSO DAS ENCARNAÇÕES

Segundo o ensinamento teosófico, a evolução normal da alma humana envolve um número básico e aproximado de 777 encarnações em corpos físicos, com possibilidade de variação de até, aproximadamente, 50 encarnações para mais ou para menos, à medida que o ser evolucionante retardar ou acelerar seu processo de auto-realização.
Antes de entrar na condição humana, o espírito jornadeou em passadas eras, pelos reinos mineral, vegetal e animal, até atingir a individualização, em que adquire um corpo causal, capaz de armazenar experiências e carma individualizado, sendo este o fator que separa os reinos humano e animal: a individualidade. O animal, ao desencarnar, transfere toda a sua experiência para a alma grupal de sua espécie e, quando renasce, recebe a consciência instintiva de toda a alma do grupo, só mantendo um registro individual durante sua vida física.
Portanto a diferença básica entre o ser humano e o animal é que o primeiro preserva uma individualidade ao longo de sua jornada, enquanto o animal transfere toda a sua experiência individual para a consciência coletiva da espécie, sendo, ao mesmo tempo, nutrido por essa consciência coletiva.
Durante as primeiras 700 encarnações, o ser humano habita corpos de seres humanos primários, selvagens e, em seguida, de trabalhadores braçais ou de ocupações que não exijam muito desenvolvimento mental.
As 70 encarnações seguintes são destinadas a experiências em corpos de seres humanos cultos que exercem profissões e atividades mais refinadas, voltadas para o desenvolvimento de qualidades mentais e afetivas. As últimas 20 encarnações (número aproximado) deste ciclo de 70 são geralmente destinadas a atividades altruístas e dedicadas ao bem-comum, visando ao gradual desapego do ego e o serviço ao próximo.
As 7 encarnações restantes são consideradas iniciáticas e dedicadas à transcendência humana, quando se completa a jornada humana, e o ser passa para evoluções cósmicas, fora do ciclo das encarnações nos mundos físicos.
Da mesma forma que existem reinos da natureza anteriores ao reino humano em condição evolutiva, devem, obviamente existir reinos posteriores e mais adiantados. A única diferença é que esses reinos pós-humanos pertencem à evolução cósmica, desaparecendo de nosso campo de visão. Quando um desses seres vem até nosso mundo, em missão de ajuda e redenção da humanidade, estabelece-se essa grande confusão sobre a natureza desses seres, chamados de ‘Avatares”, “Deuses”, “Filho de Deus”, Messias, Budas, Bodhisatvas, Zaratustras, Jinas etc.
Esses seres já têm atualizados poderes transpessoais em um grau incompreensível para nós, além de estarem já reintegrados com seu princípio divino imanente, por isso não é nenhum exagero que sejam chamados de seres divinos ou “Filhos de Deus”.
A Terra é um planeta que abriga seres de diferentes condições e estágios evolucionários, sendo habitado por seres que estão no limiar da transcendência humana, como Albert Shweitzer, Mahatma Ghandi, Madre Tereza de Calcutá, Niels Bohr, Krishnamurti; ao mesmo tempo, é habitado por seres que ainda vivem na idade da pedra polida, não conhecendo sequer os metais.
Essa diversidade faz parte de uma integração do carma complexo da humanidade e, ao mesmo tempo, reflete a unidade absoluta que existe em níveis dimensionais mais elevados, que estão fora do tempo, onde existe uma absoluta unidade essencial de todos os seres, de forma independente do seu posicionamento evolutivo na esfera temporal.
Na esfera condicionada da humanidade, o Planeta Terra funciona simultaneamente como um jardim da infância, uma escola secundária, uma universidade, um hospital e uma prisão.
Tudo isso funcionando conjuntamente no mesmo “prédio”, daí a grande confusão existente nas sociedades humanas e a dificuldade de harmonizar todas essas funções aparentemente tão díspares.
Quando se compreende o princípio da unidade da vida e dos fios invisíveis que unem todos os seres, essa confusão começa a se dissipar. Começamos a perceber que os seres que estão “engatinhando” na evolução são, de certa forma, nós mesmos. Eles são um pedaço de nós que caminha à retaguarda e não pode ser deixado para trás. Precisam ser reintegrados e resgatados (ou “salvos”, usando-se o jargão comum das religiões cristãs).
Da mesma forma, um ser de luz que caminha à nossa frente é o nosso próprio futuro que nos chama para integrar-se a ele e se libertar dos ciclos de sofrimento.
É óbvio que a realização da perfeição da plenitude e da perfeição do ser humano só pode estar no futuro, uma vez que não está no presente. Mas, mesmo estando no futuro, de uma certa forma, ela já está no presente também, pois o instante eterno abarca todo o passado e todo o futuro.
Este é o grande segredo da existência humana e da natureza do tempo: por mais atrasados que estejamos na evolução, por mais distantes que estejamos de nossa realização espiritual, essa realização já está no aqui agora. Perceber isso é dar um passo gigantesco em direção a essa realização.
Alguém disse que a evolução não dá saltos, mas felizmente quem disse isso estava totalmente equivocado. A evolução segue longas linhas de desenvolvimento lento e progressivo, interrompido por ocasionais e transitórios retrocessos e avanços súbitos e extraordinários.