APRENDER É MAIS IMPORTANTE DO QUE SABER

Aprender é mais importante do que saber.
E aprender a aprender é mais importante do que aprender.
Devemos viver em um estado constante de interrogação atenta. A vida é sempre nova. A mente é que é velha e está sempre olhando o novo com o velho olhar.
Há um antigo sutra do budismo zen que afirma: “o início do universo é agora, pois todas as coisas estão sendo criadas neste exato momento. O fim do universo é agora, pois todas as coisas estão desaparecendo neste exato momento”.
Por muitos séculos, esse sutra não foi compreendido. Pensava-se que se tratava de uma metáfora ou de um dos famosos koans do zen , que são charadas paradoxais, sem um sentido lógico.
Somente no século XX, a física quântica mostrou que os elétrons “piscam” no intervalo de dois spins, parecendo desaparecer. Esse desfalecimento é uma “morte” do elétron, que volta a brilhar no próximo spin, que ocorre em um intervalo de um nanosssegundo.
Essa descoberta demonstra que a matéria é, de fato, criada e descriada a todo momento e que a aparência de solidez e permanência é ilusão, exatamente como ocorre no cinema, em que não percebemos a alternância dos quadros de imagens projetados sucessivamente na tela.
Os antigos mestres de zen tinham razão. O início do Universo é agora, e o fim do universo é agora.
Se o universo é sempre novo e se renova a cada instante, a capacidade de aprender está ligada à capacidade de desaprender o velho e abrir-se à percepção do novo.
Os pássaros cantam ao nascer do sol porque sua memória não está saturada das lembranças das antigas auroras. Cada aurora é nova, e aquele nascer do sol é saudado festivamente como se fosse o primeiro. De certa forma, ele é mesmo o primeiro. Nunca houve um nascer do sol como aquele e nunca haverá outro igual.
Cada momento traz uma nova combinação de eventos que é única no tempo. Mas a mente velha está tão saturada com o velho que é incapaz de ver o novo. Incapaz de aprender o novo.
A grande dificuldade para o estado de aprender é a acumulação que forma o ego. Sem todo esse acervo de conhecimento acumulado, sentimo-nos sem lastro, frágeis e inseguros. Essa necessidade de segurança é que mata a capacidade de aprender. Ela impede o movimento constante inerente ao ato de aprender. Só se pode aprender ao se fluir naturalmente com os movimentos da vida, ao se perceber as novas combinações de eventos que ocorrem a todo instante.
Fora desse movimento, estaremos todos “moldados” pelo passado e “moldando” as outras pessoas de acordo com nossos condicionamentos.
Enquanto estamos “moldando” e “sendo moldados”, a vida, em seu dinamismo, está em perpétuo movimento. Até mesmo nossas tentativas de mudanças efetuadas no tempo falham, porque o ambiente que tentamos mudar muda por si mesmo, enquanto desenvolvemos o esforço de mudança.
Só aprenderemos as leis da mudança se fluirmos junto com a própria mudança. Se aprendermos as lições que a mudança nos ensina. Parece ser fácil, mas exige uma grande dose de desapego. Desapego do próprio ego, visto que o ego é o resíduo da experiência passada que se formou no tempo. O ego quer sempre produzir alguma mudança, mas essa mudança a partir do ego é uma projeção de si mesmo, de seu próprio condicionamento.
Por isso raramente funciona. E quando funciona, logo traz novos problemas que desencadeiam novas necessidades de mudança.
Esse é o mecanismo que está por trás de todas as reformas, revoluções e projetos políticos da humanidade, desde tempos imemoriais. Mas o que mais se pode fazer, se sempre foi assim?
Talvez possa ser tentado algo novo, já que a velha fórmula nunca deu resultados. Esse algo novo seria olhar o movimento da vida sem nenhum padrão ligado ao passado. Apenas ver e entender o que está acontecendo, sem interferência de nenhum preconceito ou conclusões a priori.
No fundo, todos os conceitos são preconceitos, visto que provenientes do passado. Antecedem ao fato presente e distorcem a sua percepção.
Aprender a aprender é examinar os fatos sem a distorção das idéias e dos conceitos a priori.