Assim conta Virginia Hanson, sobre Sinnett, o homem que iria desencadear uma das mais poderosas obras teosóficas: "As Cartas dos Mahatmas para A. P. Sinnett."

“Morava na Índia, na época, um inglês culto e muito refinado, chamado Alfred Percy Sinnett. Ele era editor de The Pioneer, o principal jornal inglês, publicado em AlIahabad. Ele se interessou pela filosofia exposta pelos dois teosofistas (Olcott e Blavatsky) e estava curioso a respeito dos acontecimentos notáveis que pareciam sempre ocorrer na presença de H.P.B.

Em 25 de fevereiro de 1879, nove dias após a chegada dos fundadores a Bombaim, Sinnett escreveu ao coronel Olcott expressando o desejo de conhecer H.P.B. e ele, e afirmando que estava disposto a publicar quaisquer fatos interessantes a respeito da missão deles na Índia.

Em 27 de fevereiro de 1879, Olcott respondeu esta carta. Começou assim o que Olcott chamaria de "um vínculo produtivo e uma amizade agradável".

Os fundadores foram convidados a visitar os Sinnett em Allahabad, o que ocorreu em dezembro de 1879.
Nessa visita os Sinnett filiaram-se à Sociedade Teosófica, e os fundadores encontraram outros visitantes que iriam cumprir um papel na vida da Sociedade: A.O. Hume e sua esposa Moggy, de Simla, e a sra. Alice Gordon, esposa do tenente-coronel W. Gordon, de Calcutá.

No ano seguinte, os fundadores visitaram os Sinnett na sua residência de verão, em Simla, naquela época a capital de verão da Índia. Lá, eles ficaram conhecendo melhor o casal Hume e sua filha, Marie Jane (usualmente chamada de Minnie). O passatempo favorito de Hume era o estudo de pássaros, e ele mantinha um museu ornitológico em sua espaçosa casa, que chamava de Castelo Rothney, na colina Jakko, em Simla; também publicava uma revista sobre ornitologia, Stray Feathers. Profissionalmente, ele era, havia algum tempo, membro influente do governo.

Foi em Simla que aconteceram os fatos que resultaram nas cartas publicadas na obra Cartas dos Mahatmas Para A.P. Sinnett.

H.P.B. realizava alguns fenômenos surpreendentes e os atribuía aos Mahatmas, com quem ela estava em contato psíquico mais ou menos constante. Sinnett estava convencido da veracidade desses fenômenos, e em seu livro O Mundo Oculto fez um vasto trabalho para comprovar a sua autenticidade. Ele tinha também uma mentalidade prática e científica, e desejava saber mais a respeito das leis que governavam essas manifestações. Queria, especificamente, saber mais sobre aqueles seres poderosos que H.P.B. chamava de "Mestres" e que, segundo ela, eram os responsáveis pelos fenômenos.

Ele lhe perguntou se seria possível entrar em contato com eles e receber instruções. H.P.B. disse-lhe que não era muito provável, mas que tentaria. De início, ela consultou o seu Mestre, o Mahatma Morya, com quem ela estava estreitamente ligada através do treinamento oculto a que se submetera anteriormente no Tibete, mas ele se recusou categoricamente a comprometer-se com essa tarefa. (Mais tarde, entretanto, chegou a assumir a correspondência durante alguns meses, devido a circunstâncias muito especiais.)”

Encerrado o relato de Virgínia Hanson, podemos desvendar de onde veio a concordância para algum Mestre manter contato com Sinnett, que, em sua insistência e determinação, já havia escrito a primeira correspondência, destinando-a ao “Irmão Desconhecido”.

Finalmente, o Mestre Koot Hoomi concorda em responder. E, na carta 43, o Mestre Morya, que substituía o Mahatma Koot Hoomi temporariamente nas resposas a Sinnett, explica a origem dessa concordância:

“E isto certamente é o que acontecerá quando o Chohan verificar que não houve progresso, já que foi ele quem fez com que K.H. tivesse contato com você.”

Ou seja, foi o próprio Chohan (chefe) o responsável pela troca de correspondência entre o Mestre Koot Hoomi e Sinnett.

Virgínia Hanson completa: “Seguiu-se, então, uma série de cartas notáveis, e a correspondência continuou por vários anos, tendo como um dos seus vários resultados de longo prazo a publicação das cartas em forma de livro.”

Sobre Sinnett, na Carta 15, escreveu o Mestre Koot Hoomi:

“...você é um sóbrio homem prático da realidade mundana, filho da sua geração de pensadores frios; sempre tendo sob controle a fantasia, e dizendo ao sentimento de entusiasmo: ´Até aqui chegarás, e não irás mais longe´.” “...seu modo calmo e amável...”